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Primeiro baga transmontano é Costa Boal

A afamada casta da Bairrada encontra no planalto de Mirandela condições para a produção de um varietal de qualidade. O novo Palácio dos Távoras Baga, da Costa Boal, quebra paradigmas e abre novos caminhos para a vitivinicultura na região.

Vencido o primeiro momento de ceticismo, Paulo Nunes não tem dúvidas, o novo Palácio dos Távoras Baga “vai ser uma pedrada no charco, porque ninguém imagina um vinho Baga em Trás-os-Montes”. O impensável tornou-se óbvio, acrescenta o enólogo da Costa Boal: “este Baga é pioneiro, vai abrir horizontes e vai desconstruir o modus operandi de muitos produtores da região, tal como aconteceu com o Bastado e o Alicante Bouschet da Costa Boal”.

Paulo Nunes sabe que a notoriedade da casta Baga na Bairrada é uma conquista das últimas três décadas. Na realidade, esta casta que associamos àquela região tem tradição em Portugal e era plantada um pouco por todo o país, por ser casta tintureira que dava boa cor ao vinho.

Trata-se, portanto, de recuperar uma casta que também em Trás-os-Montes teve no passado presença, mas foi ficando limitada à região da Bairrada, pelo que a comparação com os monovarietais da casta no seu atual terroir de excelência é inevitável.

Em Trás-os-Montes temos um clima continental, de dias bastante quentes, comparando com a Bairrada, com clima atlântico e mais temperado, explica o enólogo. O que nos leva a um ciclo de maturação mais curto em Trás-os-Montes, a uvas com um pouco mais de grau (em torno dos 12 graus na Bairrada e 13/14 em Trás-os-Montes) e a vinhos mais estruturados.

“Sentimos os taninos mais poderosos na Baga em Trás-os-Montes, mais estruturas de boca. Na Bairrada, os taninos são geralmente mais reativos, mais finos e precisam de mais tempo para conseguirmos vinhos mais suaves” – especifica Paulo Nunes, lembrando que a estrutura tanina desta casta é muito variável.

Transversal à casta, imagem de marca e seu ADN, está a acidez e a frescura, presente também no vinho Baga da Costa Boal, bem como o volume muito equilibrado, a elegância e a mineralidade.

Feliz acidente

A história do novo Palácio dos Távora Baga começou com um feliz acidente. Estávamos em 2012. António Boal, o produtor, plantava uma nova vinha Costa Boal, em Mirandela, Trás-os-Montes, de Touriga Nacional. Percalço no cálculo das plantas necessárias, viu-se sem alternativa quando o viveirista lhe respondeu que apenas tinha disponível bacelos da casta Baga para que pudesse acabar o trabalho.

Ao feliz acidente humano aliou-se a feliz coincidência natural de existir na vinha solo de argila, a par do xisto, particularidade de terroir à qual é especialmente sensível a casta Baga – a presença da argila é determinante para a qualidade dos vinhos desta casta.

Anos mais tarde, foi ainda o feliz casamento do enólogo experiente na casta com a vinha que fez a diferença e tornou possível o novo vinho. “Baga aqui?!”, espantou-se Paulo Nunes quando começou a trabalhar com a Costa Boal, “não conheço nenhuma outra plantação da casta em Trás-os-Montes”. Sempre na linha de uma “intervenção minimalista na adega”, Paulo Nunes utiliza a experiência para decidir “usar ou não usar” o que a vinha dá. No caso do novo Palácio dos Távoras Baga decidiu fazer o desengaço, ao contrário do que é frequente fazer-se na Bairrada, por ser “too much” manter o engaço na fermentação deste Baga transmontano.

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